naquele dia, enfatigada e insone, resolvi espreitar pela janela. lá fora, o tempo mais fresco me impeliu a pular da janela, sem nem imaginar como poderia voltar. o chão, frio, abraçou meus pés descalços, e não sei se imaginei um vento ou se o tempo resolveu ser gentil. os vizinhos por algum motivo mantinham as janelas acesas; nas paredes, lagartos ou sujeira. no topo na casa havia uma espécie de protuberância, não sei se algum detalhe que falhei em perceber ou simplesmente uma coruja, estática, imponente, vigiando.
no jardim, os muros davam para o infinito, e eu podia perceber pela imensidão e cor de céu entrevistos, se imiscuindo nas telas de proteção. pisei na grama e meus pés continuaram os mesmos, mas por precaução resolvi passar para o piso, na varanda, onde rapidamente vi uma lesma vindo na minha direção. não me abalei, mas tive de desviar porque ela logo ultrapassou todo o caminho e seguiu grama afora. uma lesma rápida.
vendo toda sorte de pequenos bichinhos de formas e cores estranhas, alguns beirando o xadrez, resolvi retornar ao meu aposento, quando percebi um desnível: a volta não seria tão fácil quanto a ida. pensei em gritar, chorar, tomei três impulsos e nada. a janela era alta. pensei em nunca mais voltar, caminhando madrugada afora. pensei na coruja e no medo de um ataque súbito. quando o mundo cai em desordem, o que esperar?
por sorte ou por acreditar muito, tomei um impulso maior (ou minhas pernas alongaram por alguns segundos), consegui subir, vacilei um pouco por conta do esforço e acabei sentando por uns minutos na janela. a minha janela. com um telhado e um andar debaixo. com árvores e inocências diversas. com ecos de passados ainda mais distantes, de todas as janelas de casas pacatas e chalés, a janela prototípica. exausta, fui dormir. desta vez, sem sonhos.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
o mundo é a biblioteca de babel
o mundo é a biblioteca de babel.
a grama em que tropeço e caio de boca é um daqueles livros que se constituem apenas de ttttttttt. é evidente: a grama é ttttttttt.
o sonho é consolidação e realização. o sonho é a biblioteca de babel.
os lugares e modos de organização só estão esperando a convergência. e a mágica é o que subjaz a todos os lugares e eventos, ela só espera que haja algum acidente ou rachadura no chão para emergir, mesmo que delicadamente.
a noite é o habitat do sonho. a noite é a abertura pro acaso, pro infinito e surpreendente.
assim surgem as torres. assim surgem as flores e os pássaros.
tudo o que se encontra fora de mim na verdade é um livro esperando para ser lido, mesmo que seja auto-referente, obscuro, ou formado apenas por palavras que começam em A.
agora que ditamos um modo de procedimento, podemos começar.
a grama em que tropeço e caio de boca é um daqueles livros que se constituem apenas de ttttttttt. é evidente: a grama é ttttttttt.
o sonho é consolidação e realização. o sonho é a biblioteca de babel.
os lugares e modos de organização só estão esperando a convergência. e a mágica é o que subjaz a todos os lugares e eventos, ela só espera que haja algum acidente ou rachadura no chão para emergir, mesmo que delicadamente.
a noite é o habitat do sonho. a noite é a abertura pro acaso, pro infinito e surpreendente.
assim surgem as torres. assim surgem as flores e os pássaros.
tudo o que se encontra fora de mim na verdade é um livro esperando para ser lido, mesmo que seja auto-referente, obscuro, ou formado apenas por palavras que começam em A.
agora que ditamos um modo de procedimento, podemos começar.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
I got here by dreaming
-- Como chegou até aqui?
-- Por sonho.
Vovó, aparentemente, morava a 15 minutos do metrô Butantã. Um dia, ao tentar ir a pé até a faculdade, acabei entrando no meu próprio bairro natal, e qual não foi a minha alegria ao chegar tão rápido até a casa da minha avó. Fingi que estava indo mesmo visitá-la, e depois tentei retraçar meus passos e chegar na faculdade.
Certo dia andei por três cidades de uma vez só, até dar em uma praia que depois me recordei ter sido a mesma de um sonho longínquo. Senti-me, então, chegando a algum lugar. Meu mundo paralelo.
Aguardo ainda mais informações e vou constituindo aos poucos minha psicogeografia onírica e pessoal. Andando em sonhos.
-- Por sonho.
Vovó, aparentemente, morava a 15 minutos do metrô Butantã. Um dia, ao tentar ir a pé até a faculdade, acabei entrando no meu próprio bairro natal, e qual não foi a minha alegria ao chegar tão rápido até a casa da minha avó. Fingi que estava indo mesmo visitá-la, e depois tentei retraçar meus passos e chegar na faculdade.
Certo dia andei por três cidades de uma vez só, até dar em uma praia que depois me recordei ter sido a mesma de um sonho longínquo. Senti-me, então, chegando a algum lugar. Meu mundo paralelo.
Aguardo ainda mais informações e vou constituindo aos poucos minha psicogeografia onírica e pessoal. Andando em sonhos.
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