Sonhei que sonhei que tinha visto um panda na universidade ao sair de lá de ônibus. A universidade parecia uma fazenda, com casarões antigos enormes. O panda parecia querer algo, e se movia pela saída de lado tal qual um jogador de baseball que quer roubar uma base antes de a bola ser lançada. Tentei tirar uma foto (de repente, o panda era todo negro), mas não ficou boa. No ônibus, indo para o Rio de Janeiro, o mar tomou conta das ruas/estradas, tivemos que abandonar o ônibus e sair nadando. Enquanto nadávamos, minha vizinha às vezes gritava "olha a água viva!", e todos tentavam desviar sendo levados pelo movimento das ondas, e a água viva ficava vermelha. Enquanto eu e conhecidos esperávamos a chuva passar, eu cantava "Besta é tu", dos Novos Baianos. Ninguém gostou muito, provavelmente porque a letra diz coisas como "olha só, olha o sol, o maraca domingo, o perigo na rua...".
Quando acordei do segundo sonho, no primeiro, eu e uma amiga tentávamos fazer sentido disso, entre outros afazeres.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
fragmentos
Sonhei que sonhei que tinha visto um panda na universidade ao sair de lá de ônibus. A universidade parecia uma fazenda, con casarões antigos enormes. O panda parecia querer algo, e se movia pela saída de lado tal qual um jogador de baseball que quer roubar uma base antes de a bola ser lançada. Tentei tirar uma foto (de repente, o panda era todo negro), mas não ficou boa. No ônibus, indo para o Rio de Janeiro, o mar tomou conta das ruas/estradas, tivemos que abandonar o ônibus e sair nadando. Enquanto nadávamos, minha vizinha às vezes gritava "olha a água viva!", e todos tentavam desviar sendo levados pelo movimento das ondas, e a água viva ficava vermelha. Enquanto eu e conhecidos esperávamos a chuva passar, eu cantava "Besta é tu", dos Novos Baianos. Ninguém gostou muito, provavelmente porque a letra diz coisas como "olha só, olha o sol, o maraca domingo, o perigo na rua...".
Quando acordei do segundo sonho, no primeiro, eu e uma amiga tentávamos fazer sentido disso, entre outros afazeres.
Quando acordei do segundo sonho, no primeiro, eu e uma amiga tentávamos fazer sentido disso, entre outros afazeres.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
as criaturas da noite
naquele dia, enfatigada e insone, resolvi espreitar pela janela. lá fora, o tempo mais fresco me impeliu a pular da janela, sem nem imaginar como poderia voltar. o chão, frio, abraçou meus pés descalços, e não sei se imaginei um vento ou se o tempo resolveu ser gentil. os vizinhos por algum motivo mantinham as janelas acesas; nas paredes, lagartos ou sujeira. no topo na casa havia uma espécie de protuberância, não sei se algum detalhe que falhei em perceber ou simplesmente uma coruja, estática, imponente, vigiando.
no jardim, os muros davam para o infinito, e eu podia perceber pela imensidão e cor de céu entrevistos, se imiscuindo nas telas de proteção. pisei na grama e meus pés continuaram os mesmos, mas por precaução resolvi passar para o piso, na varanda, onde rapidamente vi uma lesma vindo na minha direção. não me abalei, mas tive de desviar porque ela logo ultrapassou todo o caminho e seguiu grama afora. uma lesma rápida.
vendo toda sorte de pequenos bichinhos de formas e cores estranhas, alguns beirando o xadrez, resolvi retornar ao meu aposento, quando percebi um desnível: a volta não seria tão fácil quanto a ida. pensei em gritar, chorar, tomei três impulsos e nada. a janela era alta. pensei em nunca mais voltar, caminhando madrugada afora. pensei na coruja e no medo de um ataque súbito. quando o mundo cai em desordem, o que esperar?
por sorte ou por acreditar muito, tomei um impulso maior (ou minhas pernas alongaram por alguns segundos), consegui subir, vacilei um pouco por conta do esforço e acabei sentando por uns minutos na janela. a minha janela. com um telhado e um andar debaixo. com árvores e inocências diversas. com ecos de passados ainda mais distantes, de todas as janelas de casas pacatas e chalés, a janela prototípica. exausta, fui dormir. desta vez, sem sonhos.
no jardim, os muros davam para o infinito, e eu podia perceber pela imensidão e cor de céu entrevistos, se imiscuindo nas telas de proteção. pisei na grama e meus pés continuaram os mesmos, mas por precaução resolvi passar para o piso, na varanda, onde rapidamente vi uma lesma vindo na minha direção. não me abalei, mas tive de desviar porque ela logo ultrapassou todo o caminho e seguiu grama afora. uma lesma rápida.
vendo toda sorte de pequenos bichinhos de formas e cores estranhas, alguns beirando o xadrez, resolvi retornar ao meu aposento, quando percebi um desnível: a volta não seria tão fácil quanto a ida. pensei em gritar, chorar, tomei três impulsos e nada. a janela era alta. pensei em nunca mais voltar, caminhando madrugada afora. pensei na coruja e no medo de um ataque súbito. quando o mundo cai em desordem, o que esperar?
por sorte ou por acreditar muito, tomei um impulso maior (ou minhas pernas alongaram por alguns segundos), consegui subir, vacilei um pouco por conta do esforço e acabei sentando por uns minutos na janela. a minha janela. com um telhado e um andar debaixo. com árvores e inocências diversas. com ecos de passados ainda mais distantes, de todas as janelas de casas pacatas e chalés, a janela prototípica. exausta, fui dormir. desta vez, sem sonhos.
o mundo é a biblioteca de babel
o mundo é a biblioteca de babel.
a grama em que tropeço e caio de boca é um daqueles livros que se constituem apenas de ttttttttt. é evidente: a grama é ttttttttt.
o sonho é consolidação e realização. o sonho é a biblioteca de babel.
os lugares e modos de organização só estão esperando a convergência. e a mágica é o que subjaz a todos os lugares e eventos, ela só espera que haja algum acidente ou rachadura no chão para emergir, mesmo que delicadamente.
a noite é o habitat do sonho. a noite é a abertura pro acaso, pro infinito e surpreendente.
assim surgem as torres. assim surgem as flores e os pássaros.
tudo o que se encontra fora de mim na verdade é um livro esperando para ser lido, mesmo que seja auto-referente, obscuro, ou formado apenas por palavras que começam em A.
agora que ditamos um modo de procedimento, podemos começar.
a grama em que tropeço e caio de boca é um daqueles livros que se constituem apenas de ttttttttt. é evidente: a grama é ttttttttt.
o sonho é consolidação e realização. o sonho é a biblioteca de babel.
os lugares e modos de organização só estão esperando a convergência. e a mágica é o que subjaz a todos os lugares e eventos, ela só espera que haja algum acidente ou rachadura no chão para emergir, mesmo que delicadamente.
a noite é o habitat do sonho. a noite é a abertura pro acaso, pro infinito e surpreendente.
assim surgem as torres. assim surgem as flores e os pássaros.
tudo o que se encontra fora de mim na verdade é um livro esperando para ser lido, mesmo que seja auto-referente, obscuro, ou formado apenas por palavras que começam em A.
agora que ditamos um modo de procedimento, podemos começar.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
I got here by dreaming
-- Como chegou até aqui?
-- Por sonho.
Vovó, aparentemente, morava a 15 minutos do metrô Butantã. Um dia, ao tentar ir a pé até a faculdade, acabei entrando no meu próprio bairro natal, e qual não foi a minha alegria ao chegar tão rápido até a casa da minha avó. Fingi que estava indo mesmo visitá-la, e depois tentei retraçar meus passos e chegar na faculdade.
Certo dia andei por três cidades de uma vez só, até dar em uma praia que depois me recordei ter sido a mesma de um sonho longínquo. Senti-me, então, chegando a algum lugar. Meu mundo paralelo.
Aguardo ainda mais informações e vou constituindo aos poucos minha psicogeografia onírica e pessoal. Andando em sonhos.
-- Por sonho.
Vovó, aparentemente, morava a 15 minutos do metrô Butantã. Um dia, ao tentar ir a pé até a faculdade, acabei entrando no meu próprio bairro natal, e qual não foi a minha alegria ao chegar tão rápido até a casa da minha avó. Fingi que estava indo mesmo visitá-la, e depois tentei retraçar meus passos e chegar na faculdade.
Certo dia andei por três cidades de uma vez só, até dar em uma praia que depois me recordei ter sido a mesma de um sonho longínquo. Senti-me, então, chegando a algum lugar. Meu mundo paralelo.
Aguardo ainda mais informações e vou constituindo aos poucos minha psicogeografia onírica e pessoal. Andando em sonhos.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
A biblioteca é um lugar mágico
Hoje sonhei que frequentava uma biblioteca na qual pagava dois reais pra entrar e tinha muitos e muitos japoneses em situações bastante estranhas. Depois de explorar todo o local, que era escuro, mas aconchegante e tinha ares de café, escolhi minha prateleira favorita (que creio ser de poesia, talvez estrangeira) e ficava lá lendo livros rápidos de ler (acho que a fonte era grande, haha). Diante dos títulos que sempre mudavam e de sósias de amigos que se sentavam ao meu lado, me lembro de fazer a seguinte anotação: "A biblioteca é um lugar mágico".
E o é, deveras. Não só para os bibliófilos, a quem constitui um habitat e fonte inesgotável de imaginação. Mas também como obra perfeita para aqueles que possuem bom olho para admirar a harmonia inevitável dos livros dispostos em fila, não importando de qual assunto tratem. A biblioteca de Babel, de Borges, em sua totalidade de mundo, abarcando toda a vida, talvez seja o exemplo mais cabal do viés fantástico e perfeito desta invenção humana.
Eu mesma, no meu primeiro dia de trabalho, me deparei com o fantástico: corredores e mais corredores de estantes e mais estantes de infinitas gavetinhas que preservam insetos e animais diversos. E a seção de periódicos que parece se prolongar infinitamente, mesmo estando contida em uma sala não muito grande, mensurável. Os periódicos começados com A e B que são em número infinitamente maior do que todas as outras letras do alfabeto juntas. Títulos e mais títulos em línguas que beiram o incompreensível, dos mais variados e exóticos lugares, mas mesmo assim representando grande familiaridade para alguma pessoa. O trabalho inesgotável do bibliotecário. A vontade de abarcar o mundo.
E o é, deveras. Não só para os bibliófilos, a quem constitui um habitat e fonte inesgotável de imaginação. Mas também como obra perfeita para aqueles que possuem bom olho para admirar a harmonia inevitável dos livros dispostos em fila, não importando de qual assunto tratem. A biblioteca de Babel, de Borges, em sua totalidade de mundo, abarcando toda a vida, talvez seja o exemplo mais cabal do viés fantástico e perfeito desta invenção humana.
Eu mesma, no meu primeiro dia de trabalho, me deparei com o fantástico: corredores e mais corredores de estantes e mais estantes de infinitas gavetinhas que preservam insetos e animais diversos. E a seção de periódicos que parece se prolongar infinitamente, mesmo estando contida em uma sala não muito grande, mensurável. Os periódicos começados com A e B que são em número infinitamente maior do que todas as outras letras do alfabeto juntas. Títulos e mais títulos em línguas que beiram o incompreensível, dos mais variados e exóticos lugares, mas mesmo assim representando grande familiaridade para alguma pessoa. O trabalho inesgotável do bibliotecário. A vontade de abarcar o mundo.
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